a mesa de luz

light gazing, ışığa bakmak

Thursday, May 18, 2017

antes de mais, ensopado de borrego

do norte guisado com pão frito, do sul estufado com pão torrado, será?
então: temperar com sal e pimenta e deixar estar. envolver num pouco de farinha e selar a carne. juntar cebola em rodelas (muita) e alho picado (muito), louro com cuidado, duas folhas, pimentão doce com cuidado, vinho branco ou vinagre, vou pelo vinho e deixar cozinhar em lume lento durante horas. não abandonar o borrego, obviamente, ir deitando água para ficar sempre molhado, até que a carne se desprenda dos ossos. no final juntar um ramo de hortelã. entretanto acertar o sabor com piripiri. juntei cebola e alho em pó. dos melhores que já comi e era o meu.

Saturday, May 13, 2017

do papa

todos os dias preparado para ser morto.

Friday, May 12, 2017

things

"Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried"

frase boa demais para ---: na corda bamba entre o crente e o não crente mesmo quando fátima me aparece todos os dias.

Thursday, April 27, 2017

insónia

há quem tome comprimidos e há quem faça bacalhau à brás.

Monday, April 24, 2017

tenho o coração branco

com honras ao Samir que ensina coisas como esta: ter o coração branco é o esquecimento
(tolerar, perdoar, esquecer o que de mau se passou)
esqueço.
coração branco.


Sunday, April 23, 2017

ler o Expresso ("Tragam-me um homem")


muito bom. Cláudia R. Sampaio em 'ver no escuro' da Tinta da China.

e porque é tão boa, esta escritora de telenovelas, aqui está:
máquina de escrever

selva urbana















Saturday, April 22, 2017

sofá e etc.



mood


ser ou não ser

"Aprendi três coisas em Zurique durante a guerra. Até tomei nota. A primeira é que ou somos revolucionários ou não somos, e que se não somos mais vale sermos artistas. A segunda é que se não somos artistas, mais vale sermos revolucionários. Esqueci-me da terceira." Pedro Mexia a citar Travesties de Tom Stoppard no Expresso de hoje.

Mary Burns (O Jovem Marx, de Raoul Peck)

Imbuída em espírito político, ou melhor, muito semi-político pois desde que subscrevi o grande líder Sócrates nunca mais me apanham noutra (nunca digas nunca) e tenho sido uma nomad das ideias desde então – bem, imbuída em espírito político, fui ver O Jovem Marx. Contrariei a regra que sigo para artistas e escritores: quero lá saber das vidas e amores, interessam-me as obras, o resto é conversa cor de rosa.

Neste caso, (e como “nunca digas nunca) a candura de algodão doce do filme fez-me pensar, durante todo o filme, em: - primeiro, os milhões de mortos que seguiram; - segundo, no incrível perigo das boas intenções. Este último aspecto interessa-me particularmente até porque pinta um retrato da minha vida. As ideias, essas boas intenções humanas, e aquilo que está na base do que somos no conjunto dos seres vivos e no conjunto das galáxias a girar no espaço profundo, são o que nos transforma fatalmente em ícaros condenados. Existe alguma boa ideia sem a correspondente queda?

O filme é um pouco arrastado e pode tornar-se entediante para quem não se interessa muito pelo conteúdo, o que não foi o meu caso. Com surpresa, amei o final: Bob Dylan a cantar a Like a Rolling Stone com imagens de muitas situações posteriores ao Manifesto Comunista mas que justificaram e continuam a justificar o sonho de Karl Marx.


Feita para mim no filme foi a personagem Mary Burns, a mulher não casada de Engels, com quem tanto me identifiquei. Dela diz a Wikipédia: “Não foi escrita muita coisa sobre Mary Burns. As únicas referências directas que sobreviveram é uma carta de Marx para Engels por ocasião da sua morte dizendo que ela tinha uma boa natureza e era esperta e uma carta da filha de Marx dizendo que ela era muito bonita e esperta”. Enfim, não sabia ler nem escrever, o habitual nos confins da história das mulheres e a regra geral no apagamento radical das suas existências. Mary Burns no meu coração.

Friday, April 21, 2017

Thursday, April 20, 2017

Hobbes

dreamers and dissenters. que bom o site da British Library sobre este tema, simples mas com o cânone todo. bem sei que tenho repudiado o mainstream entretanto, mas para apanhar atalhos é preciso saber onde está a autoestrada.

Sunday, April 16, 2017

beloved,

through tough times yet again. se ganhásse o não, haveria uma guerra civil. ganhando o sim, haverá violência. é um beco explosivo e era lá que eu queria estar.


silêncio e tranquilidade

..."essa memória destruída ainda sou eu,
um limite onde respiram as raízes
e ouço a erecta doçura das canções.
Depois ficamos sós com essas garras
que vemos sós na hora que nos mata."

Joaquim Manuel Magalhães

'into the quiet I am bound, what you have lost I never found'

sunday morning


Türkiye


 
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